Vasectomia afeta o desempenho sexual? O que o estudo mostra
Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)
Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552
Um estudo brasileiro com 64 homens avaliou a função sexual antes e depois da vasectomia. O resultado surpreende quem tem medo.
Vasectomia afeta o desempenho sexual? O que o estudo mostra
O medo é enorme e a evidência aponta na direção oposta. Um estudo conduzido no Hospital das Clínicas da USP avaliou 64 homens com um questionário validado antes e 90 dias depois da vasectomia. O escore total de função sexual melhorou de forma estatisticamente significativa, 67% dos pacientes tiveram melhora, e não houve nenhum caso de disfunção erétil relacionada à cirurgia.
O que o estudo encontrou
O trabalho publicado no International Braz J Urol acompanhou 64 candidatos à esterilização masculina, com idade média de 35 anos, aplicando o mesmo questionário antes e 90 dias após o procedimento.
Resultados:
● Escore total foi de 64,06 antes para 65,64 depois, diferença estatisticamente significativa
● 67% dos pacientes melhoraram o escore
● 17% pioraram e 16% não tiveram mudança
● Os domínios com melhora significativa foram desejo e satisfação sexual
● Nenhum caso de disfunção erétil relacionada à cirurgia
Revisões sistemáticas mais recentes, reunindo diversos estudos, chegam à mesma conclusão: a vasectomia não afeta negativamente os aspectos principais da função e da satisfação sexual, e pode ter efeitos discretamente positivos.
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Por que costuma melhorar
A explicação mais provável não é fisiológica — é psicológica.
Sai de cena o medo de gravidez indesejada. Sai a interrupção para o preservativo. Sai a preocupação com o calendário dela.
Muitos casais relatam mais espontaneidade depois do procedimento. E espontaneidade é justamente o que a preocupação com contracepção tirava.
É como dirigir sem o medo constante do radar. Não é que o carro melhorou — é que você relaxou.
O que a vasectomia não faz
Vale desmontar item por item os medos que eu mais escuto:
● Não reduz a testosterona — os testículos continuam produzindo hormônio normalmente
● Não causa impotência — não mexe nos vasos nem nos nervos da ereção
● Não elimina a ejaculação — os espermatozoides são uma fração mínima do volume
● Não reduz o prazer nem a intensidade do orgasmo
● Não muda a sua libido por via hormonal
O que ela faz é impedir que os espermatozoides cheguem ao sêmen. Só isso.
O que precisa ser considerado antes
Ser justa exige dizer também o outro lado:
1. Trate como definitiva.
Existe reversão, mas ela nem sempre funciona. Decida como se não houvesse volta.
2. A decisão precisa ser sua, de verdade.
Uma das revisões aponta que baixa aceitação do procedimento pode se relacionar a dificuldades sexuais posteriores. Homem que faz por pressão da esposa e não estava convencido é o perfil de risco — e o problema aí é psicológico, não cirúrgico.
3. Existem aspectos legais e critérios no Brasil.
Isso é conversa com o urologista e com o serviço de saúde.
4. Não protege contra infecções.
Preservativo continua sendo necessário nesse aspecto.
Se você está pensando em fazer e tem medo do efeito na sua vida sexual, me manda uma mensagem. Esse medo é comum e vale conversar antes de decidir.
E me conta nos comentários: qual é o seu maior medo em relação à vasectomia? Eu leio e respondo todos.
Perguntas frequentes
Vasectomia causa impotência?+
Não. No estudo citado não houve nenhum caso de disfunção erétil relacionada à cirurgia, e as revisões apontam na mesma direção.
Diminui a testosterona?+
Não. A produção hormonal dos testículos não é afetada pelo procedimento.
Vou ejacular menos?+
O volume praticamente não muda, porque os espermatozoides representam uma fração mínima do sêmen.
Se eu me arrepender, tem reversão?+
Existe, mas nem sempre é bem-sucedida. A orientação é decidir como se fosse definitiva.
Posso ter problemas psicológicos depois?+
Podem ocorrer quando a decisão não foi realmente sua. Por isso a convicção antes do procedimento importa tanto.
Referências
- 1.Bertero E, Hallak J, Gromatzky C, Lucon AM, Arap S. Assessment of sexual function in patients undergoing vasectomy using the international index of erectile function. Int Braz J Urol. 2005;31(5):452-458. PubMed
