Traição e novidade: por que trair não resolve o seu problema
Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)
Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552
A novidade excita, mas tem prazo. Entenda por que o problema que você quer resolver costuma viajar junto com você.
Traição e novidade: por que trair não resolve o seu problema
O pensamento aparece assim: com outra pessoa seria diferente. E não é mentira — novidade excita, isso é biologia. O problema é o prazo de validade. A novidade dura dois, três anos, e depois você está exatamente no mesmo lugar, com uma vida mais complicada. E se o seu problema é ereção ou controle, ele viaja junto: eu já atendi muitos homens que descobriram isso da forma mais constrangedora possível.
Por que a novidade funciona — e por que ela engana
Novidade aumenta excitação. É um mecanismo antigo e real.
Só que ele é temporário por definição. Novidade vira rotina — é literalmente o que a palavra significa.
Então o que acontece é isto: você atribui à pessoa um efeito que era do contexto. Acha que encontrou alguém especial, quando encontrou uma situação nova.
É como trocar de carro toda vez que o cheiro de novo passa. Você não está resolvendo nada — está pagando caro por um cheiro que sempre acaba.
O problema que viaja junto
Aqui está a parte que eu vejo no consultório e que quase ninguém antecipa.
Se a sua dificuldade é de ereção ou de controle, ela não fica em casa.
Pelo contrário: numa situação nova, com alguém que você quer impressionar, a ansiedade de desempenho fica maior, não menor. Muitos homens que estavam funcionando razoavelmente falham justamente ali.
E aí o estrago é duplo: o problema continua, e agora tem uma humilhação nova em cima — que vira mais medo, que vira mais falha. É o Ciclo Negativo do Homem ganhando um combustível novo.
Eu já ouvi essa história dezenas de vezes. O homem foi buscar a prova de que o problema era a esposa, e voltou com a prova de que não era.
▶ Assista: O que a psicologia explica sobre os perfis de traição
O que costuma estar por trás do impulso
Na maioria dos casos que eu atendo, não é falta de atração pela parceira. É uma dessas coisas:
● Rotina que apagou a antecipação — e isso tem conserto dentro de casa
● Necessidade de se sentir desejado, que a relação deixou de suprir
● Ansiedade de desempenho, buscando uma situação sem histórico
● Mágoas acumuladas que ninguém conversou
● Queda geral de libido, atribuída erradamente à parceira
Repare que quatro dos cinco têm solução onde você já está. E o quinto é investigação médica.
O custo que ninguém calcula na hora
Não vou fazer sermão moral — isso não é o meu papel e você é adulto.
Vou falar do que eu vejo depois, no consultório:
● Casais que levam anos reconstruindo confiança, quando conseguem
● Homens que perderam convivência diária com os filhos
● Custo financeiro de uma separação, que quase ninguém dimensiona antes
● E o mais frequente: descobrir que o problema sexual continuou igual
Esse último é o que mais dói. Porque aí não sobrou nem a desculpa.
O que fazer com o impulso
1. Trate como sintoma, não como plano.
A vontade de novidade é informação sobre a sua relação e sobre você. Vale investigar antes de agir.
2. Teste a hipótese dentro de casa.
Se a sua teoria é que falta novidade, mude o contexto: horário, lugar, iniciativa, antecipação. Três meses de esforço real dão uma resposta honesta.
3. Verifique se é problema de corpo.
Queda de libido geral raramente é sobre a parceira. Sono, peso, álcool, testosterona.
4. Converse antes de agir.
Muitos casamentos que chegaram até mim à beira da separação estavam, na verdade, à beira de uma conversa que nunca aconteceu.
5. Se a decisão for terminar, termine antes.
Isso não é moral — é prático. A traição custa muito mais caro que a separação, para todos os envolvidos.
▶ Assista: Vantagens de ser casado e fiel
Se você está com essa cabeça e quer conversar antes de tomar qualquer decisão, me manda uma mensagem. Sem julgamento.
E me conta nos comentários: você já achou que o problema fosse a parceira? Eu leio e respondo todos.
Perguntas frequentes
Se eu funciono com outra e não com ela, o problema é ela?+
Costuma ser o contrário: prova que o seu corpo funciona e que o que muda é o contexto e a novidade. Isso tem conserto dentro da relação.
A novidade não resolve mesmo?+
Resolve temporariamente. Ela tem prazo, e depois dele o mecanismo que apagou o desejo antes volta a operar.
Ménage ou relação aberta ajudam?+
São decisões complexas e frequentemente trazem consequências que o casal não previu. Não são solução para problema sexual não tratado.
Devo contar se já aconteceu?+
É uma decisão pessoal e complexa, com implicações grandes. Vale conversar com um profissional antes de decidir.
Referências
- 1.Vowels LM, Mark KP, et al. Desire discrepancy in long-term relationships: A qualitative study with diverse couples. PubMed
- 2.Revisão sobre disfunção erétil psicogênica e ansiedade de desempenho. PubMed
