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Tadalafila resolve o sintoma, não a causa — entenda a diferença
Remédios, Suplementos e Ciladas 7 min de leitura

Tadalafila resolve o sintoma, não a causa — entenda a diferença

Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)

Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552

A tadalafila funciona. O problema é o que ela esconde: a disfunção erétil costuma ser o primeiro aviso de um problema maior. Entenda o que os estudos mostram.

Tadalafila resolve o sintoma, não a causa — entenda a diferença

A tadalafila melhora a ereção naquela noite, e faz isso bem. O que ela não faz é tratar o motivo pelo qual a ereção falhou. E isso importa mais do que parece: a literatura mostra que a disfunção erétil é um marcador independente de risco cardiovascular, muitas vezes aparecendo anos antes dos sintomas do coração. Quando você resolve só o sintoma, você desliga o alarme sem apagar o incêndio.

O que a tadalafila faz e o que ela não faz

Ela é um inibidor de PDE5. Em linguagem de oficina: ela abre a mangueira e mantém aberta por mais tempo.

O que ela não faz:

●       Não melhora a saúde dos seus vasos sanguíneos

●       Não controla o seu diabetes ou a sua pressão

●       Não aumenta a sua testosterona

●       Não cria desejo — sem estímulo, não acontece nada

●       Não trata ansiedade de desempenho

É como colocar aditivo no tanque de um carro com problema de injeção. Melhora a rodagem daquele dia. O defeito continua lá.

Por que a disfunção erétil é um aviso

Essa é a parte que eu queria que todo homem soubesse.

As artérias que irrigam o pênis são bem mais finas que as coronárias. Quando existe um processo que estreita vasos — colesterol, pressão alta, diabetes, cigarro —, os vasos finos sentem primeiro.

Por isso a dificuldade de ereção costuma aparecer antes do problema cardíaco dar as caras.

Uma meta-análise que reuniu 14 estudos e mais de 92 mil homens, com seguimento médio de 6 anos, encontrou que a presença de disfunção erétil se associou a maior risco de eventos cardiovasculares no futuro — com risco relativo de 1,44 para eventos em geral e 1,62 para infarto. Os autores observaram ainda que essa capacidade de previsão é mais forte entre homens mais jovens.

Repare: mais forte nos mais jovens. Se você tem 40 e poucos anos e está broxando, isso merece investigação, não só receita.

Isso não quer dizer que você vai ter um infarto. Quer dizer que o seu corpo mandou um recado, e vale ouvir.

▶ Assista: Tadalafila resolve o sintoma, não a causa

E quando a causa é psicológica?

Aí o comprimido chega ainda mais longe do problema.

Ansiedade de desempenho não é resolvida por vasodilatador. O que acontece nesses casos é que o remédio funciona algumas vezes, o homem se sente aliviado — e passa a atribuir todo o desempenho dele ao comprimido.

Isso alimenta exatamente o Ciclo Negativo do Homem: você falha, fica com medo, o medo faz falhar de novo. O comprimido não desmonta esse ciclo. Ele apenas silencia o sintoma enquanto o medo continua crescendo por baixo.

E aí chega o dia em que acaba o comprimido, ou a dose não faz mais o mesmo efeito subjetivo, e o homem descobre que o medo estava intacto o tempo inteiro.

Então a tadalafila é ruim?

Não. Eu não sou contra ela — sou contra ela sozinha, para sempre, sem investigação.

Usada com prescrição, ela pode inclusive ajudar no início de um tratamento, quebrando a expectativa negativa e permitindo que o homem tenha experiências positivas enquanto trabalha a causa.

O erro não está em tomar. Está em tomar e parar por aí.

O caminho completo:

●       Urologista: exames de sangue, pressão, glicemia, perfil lipídico, testosterona

●       Tratamento do que aparecer — e isso pode salvar bem mais que a sua vida sexual

●       Avaliação do lado psicológico, principalmente se os exames vierem limpos

●       Base: sono, peso, álcool, cigarro, movimento

●       Treino da resposta sexual, que é o que sustenta o resultado sem depender de nada

▶ Assista: O perigo escondido do tadalafila

Se você quer entender como funciona esse treino — e por que ele resolve o que o comprimido só disfarça — eu explico numa aula ao vivo e respondo suas dúvidas na hora.

Participar da aula ao vivo

E me conta nos comentários: você já investigou a causa ou só está tratando o sintoma? Eu leio e respondo todos.

Tadalafiladisfunção erétilSaúde Cardiovascular

Perguntas frequentes

Posso tomar tadalafila enquanto investigo a causa?+

Essa decisão é do seu médico. Muitos urologistas mantêm o tratamento durante a investigação justamente para preservar a vida sexual e reduzir a ansiedade.

Disfunção erétil sempre significa problema no coração?+

Não. Existem causas psicológicas, hormonais, neurológicas e medicamentosas. Mas como a associação com risco cardiovascular está bem documentada, a investigação é sempre recomendável.

Se meus exames deram tudo normal, o que fazer?+

Aí o componente psicológico ganha muito peso — ansiedade de desempenho, Ciclo Negativo, sobrecarga. Nesse cenário, treino resolve o que remédio só adia.

Quanto tempo posso usar tadalafila?+

Existe uso contínuo em dose baixa com prescrição médica. O que não faz sentido é usar por conta própria, indefinidamente, sem nunca ter investigado nada.

Tratar a causa faz a ereção voltar sem remédio?+

Em muitos casos, sim — principalmente quando a causa é psicológica ou de estilo de vida. Em causas orgânicas mais avançadas, o remédio pode continuar necessário, e não há problema nisso.

Referências

  1. 1.Vlachopoulos CV, Terentes-Printzios DG, Ioakeimidis NK, Aznaouridis KA, Stefanadis CI. Prediction of cardiovascular events and all-cause mortality with erectile dysfunction: a systematic review and meta-analysis of cohort studies. Circ Cardiovasc Qual Outcomes. 2013;6(1):99-109. PubMed Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Prescrição, dose e acompanhamento são responsabilidade do seu urologista.