Tadalafila faz mal? O que a ciência mostra sobre riscos, efeitos colaterais e dependência
Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)
Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552
A tadalafila é segura para a maioria dos homens saudáveis. Veja os efeitos colaterais reais, quem não pode tomar e por que ela não trata a causa da disfunção
Tadalafila faz mal? O que a ciência mostra sobre riscos, efeitos colaterais e dependência
As revisões científicas mostram que, para a maioria dos homens saudáveis, a tadalafila é segura e eficaz — é o tratamento de primeira linha para disfunção erétil no mundo inteiro. Existe uma contraindicação absoluta, que está na bula de todas as marcas: quem usa nitrato para o coração não pode tomar, de jeito nenhum. E existe um risco que quase ninguém te conta, que não está no remédio: usar ele como muleta e nunca tratar a causa.
O que a tadalafila faz no seu corpo?
Vou te explicar de um jeito que você entende na hora.
Pensa no seu pênis como o motor de um carro. Para o motor pegar, precisa chegar combustível. No seu caso, o combustível é sangue.
A tadalafila não liga o motor. Ela abre a mangueira. Ela é um inibidor de PDE5 — bloqueia uma enzima que fecharia os vasos rápido demais, e com isso o sangue entra e fica. Só que ela só funciona se você tiver estímulo. Sem tesão, sem estímulo, não acontece nada. Ela não cria desejo. Ela abre a mangueira e espera.
Isso já te diz uma coisa importante: se o seu problema é falta de vontade, ansiedade ou uma cabeça que não desliga, a tadalafila não é o remédio certo. Ela resolve encanamento. Não resolve cabeça.
Tadalafila faz mal? O que dizem os estudos
Aqui eu preciso ser honesta com você, mesmo que não seja o que você espera ouvir de mim.
A tadalafila é um remédio seguro. Uma revisão publicada em 2017 juntou 16 estudos clínicos que compararam tadalafila e sildenafila (o azulzinho) e encontrou eficácia parecida e taxas de efeitos colaterais parecidas entre as duas. A tadalafila teve resultado significativamente melhor num ponto específico: os desfechos psicológicos — confiança, satisfação, autoestima. Faz sentido, porque ela dura muito mais tempo e tira a pressão do relógio.
Uma atualização de segurança de 2018, que revisou a literatura de 1990 a 2016, concluiu que os dados sustentam fortemente a eficácia, a tolerabilidade e a segurança geral dos inibidores de PDE5. Os autores apontaram um provável aumento pequeno no risco de uma condição rara do nervo óptico, e classificaram como fraca e controversa a evidência que ligava esses remédios a melanoma e recidiva de câncer de próstata.
Ou seja: não, a tadalafila não é veneno. Quem te disser isso está mentindo ou querendo te vender outra coisa.
Mas segura não é sinônimo de resolvida. E é aí que a conversa começa de verdade.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
Os que mais aparecem nos estudos:
● Dor de cabeça
● Má digestão e azia — a tadalafila dá mais refluxo que a sildenafila
● Dor nas costas e dor muscular — esse é mais característico da tadalafila
● Nariz entupido
● Rosto quente e vermelho — aqui ela dá menos que a sildenafila
Na comparação direta entre as duas, cerca de 1 em cada 3 homens relatou algum efeito colateral, com taxas parecidas nos dois remédios. Quase sempre são efeitos leves e passageiros.
Agora presta atenção no que não é leve: se você tiver ereção que não baixa depois de 4 horas, perda súbita de visão ou de audição, ou dor no peito durante o sexo, é emergência. Procure atendimento na hora.
▶ Assista: Mas a tadalafila faz mal?
Quem não pode tomar tadalafila?
Essa parte é a mais importante do texto inteiro. Leia com atenção.
Quem usa nitrato não pode tomar. Ponto final.
Nitrato é aquele remédio do coração — monocordil, isordil, o comprimidinho que se põe embaixo da língua quando aperta o peito. Junto com tadalafila, a pressão pode despencar de forma grave. Isso não é precaução exagerada: é contraindicação absoluta e está na bula de todos eles.
A bula também pede avaliação médica antes se você:
● Usa alfabloqueador para a próstata (doxazosina, tansulosina)
● Teve infarto ou AVC recente
● Tem pressão muito baixa ou muito descontrolada
● Tem problema sério de fígado ou rim
● Usa antifúngico, antibiótico ou antirretroviral — alguns mudam muito o efeito da tadalafila no sangue
E aqui vai o recado que eu repito há 42 anos: não pegue o comprimido do amigo. Não compre pela internet sem receita. Não invente dose. Quem prescreve, ajusta e acompanha é o seu urologista. Metade dos homens que chegam ao meu consultório automedicados chegou porque piorou, não porque melhorou.
Tadalafila vicia?
Do ponto de vista químico, não. A tadalafila não causa dependência física. Você não vai ter crise de abstinência, seu corpo não vai passar a exigir a substância.
Mas eu atendo homens, não moléculas. E a dependência que eu vejo no consultório é outra, e é real.
Ela é psicológica. É o homem que não consegue mais nem tentar sem o comprimido. Que já não sai de casa sem um na carteira. Que broxou uma vez, se assustou, e agora atribui todo o seu desempenho a um remédio.
Isso é o que chamamos aqui de Ciclo Negativo do Homem: você falha uma vez, fica nervoso, na próxima o nervosismo faz você falhar de novo, e cada falha te deixa mais ansioso. O comprimido entra como alívio — e vira a prova, na sua cabeça, de que sozinho você não dá conta. A ansiedade não sumiu. Ela só foi terceirizada.
É como o jogador que só entra em campo com aquela chuteira específica. A chuteira não joga bola. Mas se ele esquece a chuteira em casa, ele já entra derrotado.
A tadalafila para de funcionar com o tempo?
Essa é uma das perguntas que mais recebo, e a resposta científica surpreende muita gente.
Não existe boa evidência de que o corpo crie tolerância à tadalafila. Um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo acompanhou homens durante 6 meses justamente para testar isso. O resultado: a taxa de relações bem-sucedidas era de 33% no início, subiu para 74% depois de 1 mês e estava em 78% ao fim dos 6 meses. Ou seja, o efeito não caiu — se manteve.
Então por que tantos homens dizem que ela parou de funcionar?
Porque quase sempre não é o remédio que enfraqueceu. É a causa por baixo que avançou. Diabetes que não está controlado. Pressão alta. Colesterol. Ganho de peso. Sono ruim. Testosterona caindo. Ou o fator psicológico crescendo, que é o mais comum de todos.
A mangueira continua abrindo do mesmo jeito. O que mudou foi a pressão da água.
Isso não é notícia ruim. É a melhor notícia do texto, e eu vou te explicar por quê.
Então qual é o problema de verdade?
O problema nunca foi a tadalafila fazer mal. O problema é ela fazer bem demais — rápido demais — e te tirar a urgência de descobrir o que está acontecendo com você.
A disfunção erétil raramente é uma doença isolada. Ela é sintoma. Muitas vezes é o primeiro sinal de que alguma coisa no sistema cardiovascular não vai bem — as artérias do pênis são bem mais finas que as do coração, então entopem primeiro. É um aviso que chega antes.
Quando você toma o comprimido e o problema some naquela noite, você desliga o alarme sem apagar o incêndio.
E se a sua causa é psicológica — ansiedade de desempenho, cobrança, medo de falhar, cabeça acelerada, aquele cansaço acumulado da semana que faz o sextou virar ferrou — o remédio nem toca no que está acontecendo. Ele resolve a noite. Não resolve você.
▶ Assista: Tadalafila resolve o sintoma, não a causa
O que fazer no lugar — ou junto
Quero deixar claro: eu não sou contra a tadalafila. Sou contra a tadalafila sozinha, para sempre, sem investigação.
O caminho que funciona:
1. Vá ao urologista.
Exames de sangue, pressão, glicemia, testosterona. Descubra se tem causa física. Isso não é opcional.
2. Olhe para a sua cabeça com a mesma seriedade.
Boa parte dos homens que atendo tem exame limpo e ereção que não vem. Nesses casos o tratamento não é farmácia, é treino.
3. Trate a base.
Sono, peso, álcool, cigarro, movimento. Nada disso é dica genérica de saúde — cada um desses itens mexe diretamente no fluxo de sangue e no hormônio que sustentam a sua ereção.
4. Treine o controle, em vez de só medicar o sintoma.
Ereção e ejaculação são resposta aprendida. Seu corpo aprendeu um padrão ao longo de anos e pode aprender outro. É como dirigir: no começo você pensa em cada pedal, depois vira automático. É isso que a gente faz no Método Ghelfi — você aprende a surfar o gráfico de sensações, sabendo a hora de acelerar e a hora de refrescar. Sem depender de nada além de você.
A tadalafila pode fazer parte do caminho. Ela só não pode ser o caminho inteiro.
Se você chegou até aqui, é porque essa dúvida te incomoda de verdade. Eu faço uma aula ao vivo em que explico exatamente como funciona esse treino e por que ele resolve o que o comprimido só disfarça. É gratuita e você pode tirar suas dúvidas comigo na hora.
E me conta aqui embaixo nos comentários: você já usou tadalafila? Como foi? Eu leio e respondo todos.
Perguntas frequentes
Tadalafila faz mal ao coração?+
Para a maioria dos homens sem doença cardíaca grave, não. Ela chegou a ser estudada para outras condições vasculares. O risco sério é a combinação com nitratos, que pode derrubar a pressão de forma perigosa. Se você tem problema cardíaco, converse com o cardiologista antes.
Pode tomar tadalafila todo dia?+
Existe apresentação de dose baixa aprovada para uso diário, prescrita por médico. Isso é diferente de tomar por conta própria todo dia. A decisão é do urologista, depois de avaliar o seu caso.
Tadalafila aumenta a testosterona?+
Não. A tadalafila age no fluxo de sangue, não no sistema hormonal. Se a sua testosterona está baixa, isso precisa ser investigado e tratado separadamente.
Quanto tempo dura o efeito da tadalafila?+
É o inibidor de PDE5 de ação mais longa, com efeito que pode chegar a até 72 horas. Por isso ficou conhecida como o comprimido do fim de semana.
Posso beber álcool tomando tadalafila?+
Pequena quantidade costuma ser tolerada, mas álcool em excesso derruba a ereção por conta própria e pode somar com o remédio para baixar a pressão. Se você precisa beber para relaxar antes do sexo, o problema não é o remédio — é a ansiedade.
Tadalafila resolve ejaculação precoce?+
Não é para isso que ela serve. Ela age na ereção. Ejaculação precoce tem outro mecanismo e outro tratamento.
Referências
- 1.Gong B, et al. Direct comparison of tadalafil with sildenafil for the treatment of erectile dysfunction: a systematic review and meta-analysis. Int Urol Nephrol. 2017;49(10):1731-1740. PubMed
- 2.Yafi FA, Sharlip ID, Becher EF. Update on the Safety of Phosphodiesterase Type 5 Inhibitors for the Treatment of Erectile Dysfunction. Sex Med Rev. 2018;6(2):242-252. PubMed
- 3.McMahon CG, et al. Tolerance to the Therapeutic Effect of Tadalafil Does Not Occur During 6 Months of Treatment. J Sex Med. 2006;3(3):504-511. PubMed Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Prescrição, dose e acompanhamento são responsabilidade do seu urologista.
