O aumento da próstata impede o sexo?
Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)
Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552
O aumento benigno da próstata é comum depois dos 50 e não impede a vida sexual. Mas alguns tratamentos afetam — e isso precisa ser conversado.
O aumento da próstata impede o sexo?
Não. O aumento benigno da próstata é extremamente comum depois dos 50 e, por si só, não impede a atividade sexual. O que costuma atrapalhar é outra coisa, e essa merece atenção: alguns medicamentos usados para tratar a próstata podem afetar a ereção, o desejo ou a ejaculação. E como quase nenhum homem leva essa queixa ao médico, ele acaba parando o remédio sozinho — trocando um problema controlado por dois.
O que é o aumento benigno
Com a idade, a próstata tende a crescer. Como ela envolve o canal por onde a urina passa, esse crescimento pode gerar:
● Jato urinário mais fraco
● Dificuldade para iniciar
● Urgência e aumento da frequência
● Acordar várias vezes à noite para urinar
● Sensação de não esvaziar completamente
Isso é frequente e tem tratamento. E é diferente de câncer — são condições distintas, ainda que ambas exijam acompanhamento.
▶ Assista: Sexo com próstata aumentada
Por que a vida sexual costuma mudar junto
Três motivos, e vale separar bem:
1. Fatores compartilhados.
Sintomas urinários e disfunção erétil compartilham fatores de risco — idade, doença vascular, diabetes, síndrome metabólica. Frequentemente aparecem juntos porque têm causa comum, não porque um cause o outro.
2. Impacto na cabeça.
Acordar quatro vezes por noite arruína o sono. E sono ruim derruba testosterona e disposição. Some o constrangimento com os sintomas e você tem um homem que evita intimidade.
3. Os medicamentos.
Esse é o ponto principal do texto. Algumas classes usadas no tratamento podem afetar função sexual — com efeitos que variam conforme a substância, incluindo alterações na ejaculação e, em alguns casos, na libido e na ereção.
Quais especificamente, e o que faz sentido para você, é conversa com o urologista. Eu sou psicóloga e não prescrevo — mas eu vejo a consequência de ninguém falar sobre isso.
O erro que eu mais vejo
O homem começa o tratamento, percebe mudança na vida sexual, não conta a ninguém, e para de tomar.
Aí os sintomas urinários voltam ou pioram, o sono estraga de novo, e ele continua com a queixa sexual — porque parte dela nunca foi do remédio.
Uma frase resolve isso na consulta: "Doutor, depois que comecei esse tratamento eu notei mudança na minha vida sexual. Isso está me incomodando. Existe alguma alternativa?"
Ele já ouviu isso mil vezes. Para ele é rotina. E frequentemente existe ajuste possível.
O que fazer
● Não interrompa nenhum medicamento por conta própria
● Leve a queixa sexual à consulta, com detalhes: o que mudou e quando começou
● Informe se você ainda tem ereções ao acordar — isso ajuda muito o raciocínio médico
● Cuide do sono, porque acordar várias vezes por noite afeta tudo
● Controle os fatores vasculares, que melhoram os dois quadros
● Trabalhe a ansiedade, que costuma se somar depois de meses de dificuldade
E vale dizer: existem casos em que o tratamento da próstata melhora a vida sexual, justamente por devolver o sono e reduzir o constrangimento.
Se você está nessa situação e não sabe o que é o quê, me manda uma mensagem. A gente organiza o que levar para a consulta.
E me conta nos comentários: você já levou essa queixa ao seu urologista? Eu leio e respondo todos.
Perguntas frequentes
Próstata aumentada causa impotência?+
Por si só, não. Os dois compartilham fatores de risco e aparecem juntos com frequência, mas o aumento não é causa direta.
Posso ter relações normalmente?+
Na maioria dos casos sim. Se houver dor ou sangramento, procure o urologista.
O remédio da próstata pode afetar a ejaculação?+
Algumas substâncias têm esse efeito descrito. Converse com o urologista, porque frequentemente há alternativas.
Cirurgia de próstata acaba com o sexo?+
Depende do tipo de procedimento e do caso. Essa conversa deve acontecer antes da cirurgia, com o seu urologista.
Referências
- 1.Feldman HA, Goldstein I, Hatzichristou DG, Krane RJ, McKinlay JB. Impotence and its medical and psychosocial correlates: Massachusetts Male Aging Study. J Urol. 1994;151(1):54-61. PubMed
