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O ponto G existe? O que a ciência realmente diz
Prazer da Parceria e Preliminares6 min de leitura

O ponto G existe? O que a ciência realmente diz

Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)

Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552

Uma revisão de 31 estudos concluiu que a existência do ponto G permanece não comprovada. Veja o que isso significa na prática.

O ponto G existe? O que a ciência realmente diz

A resposta honesta vai desagradar os dois lados. Uma revisão sistemática que analisou 31 estudos — pesquisas, exames de imagem, análises histológicas e anatômicas — concluiu que, entre os trabalhos que consideraram a estrutura existente, não houve acordo sobre localização, tamanho ou natureza. E que a existência dela permanece não comprovada. Isso não significa que a região não seja sensível. Significa que não existe um botão universal.

O que a revisão encontrou

A revisão publicada em 2021 buscou em várias bases de dados estudos sobre existência, localização e natureza do ponto G. Foram incluídos 31 trabalhos: 6 pesquisas de opinião, 5 clínicos, 1 neurofisiológico, 9 de imagem, 8 histológicos ou anatômicos e 2 combinados.

Os achados centrais:

●       Não houve concordância sistemática entre os estudos sobre a existência da estrutura

●       Entre os que a consideraram existente, não houve acordo sobre onde fica, que tamanho tem ou o que é

●       Estudos de inervação da parede vaginal não identificaram sistematicamente uma área com inervação mais rica

●       Conclusão: a existência permanece não comprovada

Repare no detalhe mais revelador: nem os estudos de inervação encontraram uma área especialmente rica em terminações nervosas naquela região.

O que isso NÃO significa

Não significa que a parede anterior da vagina seja insensível.

Muitas mulheres relatam prazer com estímulo naquela região, e isso é real. A explicação mais aceita hoje é que o clitóris é uma estrutura muito maior do que a parte visível — ele se estende internamente, e o estímulo naquela parede pode alcançar essas porções internas.

Ou seja: a sensação existe. O que provavelmente não existe é um órgão separado e distinto chamado ponto G.

É como aquele ponto do carro onde você encosta e o rádio para de chiar. Funciona — só que não é um botão de rádio. É um contato mal encaixado ali perto.

▶ Assista: Ponto G: agora você vai encontrar

Por que isso importa para você

Porque a busca pelo ponto G desperdiça energia e cria frustração.

O que eu vejo no consultório: homens que passam a relação inteira procurando com o dedo curvado, convencidos de que existe um lugar exato, e que quando encontrarem tudo se resolve.

Enquanto isso, eles ignoram o que tem evidência sólida: 36,6% das mulheres dizem que o estímulo do clitóris é necessário para o orgasmo na penetração, e apenas 18,4% chegam lá só com penetração.

Você está procurando um mapa do tesouro enquanto o tesouro está do lado de fora, visível e documentado.

O que fazer com essa informação

1. Comece pelo que tem evidência.

Clitóris, tempo, atenção. É onde os dados estão.

2. Explore a parede anterior sem obsessão.

Se ela gosta, ótimo — some ao repertório. Se não sente diferença, não force.

3. Combine estímulos.

Estímulo interno com estímulo do clitóris ao mesmo tempo costuma render mais que qualquer um isolado.

4. Não transforme em busca.

Ficar cutucando à procura de um ponto é desconfortável e desconecta os dois.

5. Desconfie de quem vende o mapa.

Cursos e produtos que prometem ensinar a localização exata estão vendendo certeza sobre algo que a literatura não confirmou.

▶ Assista: Como encontrar o ponto G das mulheres?

Se você quer focar no que realmente funciona, eu explico numa aula ao vivo e respondo suas dúvidas na hora.

Participar da aula ao vivo

E me conta nos comentários: você já passou anos procurando? Eu leio e respondo todos.

Ponto GAnatomiaOrgasmo Feminino

Perguntas frequentes

Então o ponto G é mentira?+

Não é mentira — é uma estrutura cuja existência como órgão distinto não foi comprovada. A sensibilidade da região é real e provavelmente se relaciona às porções internas do clitóris

Minha parceira diz que sente. Ela está errada?+

De jeito nenhum. A sensação dela é real. O que a ciência questiona é a existência de uma estrutura anatômica separada, não a experiência.

Vale a pena tentar estimular a região?+

Vale como parte do repertório, sem obsessão. Se ela gosta, some. Se não, não force.

O clitóris é maior do que parece?+

Sim. A porção visível é apenas uma parte; a estrutura se estende internamente, o que ajuda a explicar sensações em outras regiões.

Referências

  1. 1.Vieira-Baptista P, Lima-Silva J, Preti M, Xavier J, Vendeira P, Stockdale CK. G-spot: Fact or Fiction?: A Systematic Review. Sex Med. 2021;9(5):100435. PubMed
  2. 2.Herbenick D, et al. Women's Experiences With Genital Touching, Sexual Pleasure, and Orgasm. J Sex Marital Ther. 2018;44(2):201-212. PubMed Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica