Voltar ao Blog
Menopausa e sexo: o que muda e como atravessar juntos
Prazer da Parceria e Preliminares7 min de leitura

Menopausa e sexo: o que muda e como atravessar juntos

Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)

Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552

A menopausa altera o corpo dela de formas que ninguém explica ao marido. Entenda o que acontece e o que tem tratamento.

Menopausa e sexo: o que muda e como atravessar juntos

Ninguém senta com o marido e explica o que vai acontecer. Ele percebe que ela evita, que reclama de desconforto, que perdeu a vontade — e conclui que o casamento esfriou. A realidade é outra: a queda de estrogênio provoca alterações concretas nos tecidos genitais, com secura e dor entre os sintomas mais frequentes. E o mais importante que você vai ler aqui: isso é crônico, progressivo, e tem tratamento eficaz.

O que acontece no corpo dela

A literatura chama esse conjunto de sintomas de síndrome geniturinária da menopausa. Uma revisão sobre o tema descreve como condição comum, subnotificada, subtratada, crônica e progressiva — que exige tratamento de longo prazo.

A falta de estrogênio nos tecidos urogenitais está associada a:

●       Secura vaginal e redução da lubrificação

●       Dor durante a relação

●       Ardência e irritação

●       Bexiga hiperativa e urgência urinária

●       Infecções urinárias de repetição

Repare na palavra progressiva. Isso significa que não melhora sozinho com o tempo — tende a piorar se não for tratado.

[SEM VÍDEO CORRESPONDENTE NO CANAL — campo a preencher quando houver]

O que o marido costuma entender errado

A leitura mais comum é: ela não me deseja mais.

Mas coloque-se no lugar dela. Se cada relação dói ou incomoda, o que o corpo aprende é a evitar. Não é falta de amor — é autoproteção.

E existe um agravante: muitas mulheres não contam. Acham que é normal da idade, têm vergonha, ou já ouviram de algum profissional que "é da menopausa mesmo" e desistiram.

Enquanto isso, ele se magoa, recua, e o casal se afasta por um motivo que tem tratamento.

A parte que é boa notícia

Existem tratamentos eficazes, e isso precisa ser dito com todas as letras.

A revisão sobre medicações hormonais para essa síndrome descreve terapias hormonais vaginais como seguras e eficazes, melhorando sintomas e achados clínicos. Menciona também opção oral específica para secura e dor, e observa que a terapia hormonal sistêmica trata a atrofia vulvovaginal de forma menos eficaz que as terapias locais.

Existem ainda opções não hormonais, como lubrificantes e hidratantes vaginais, frequentemente usados como primeira linha.

Quem indica o quê, para quem e por quanto tempo é o ginecologista — inclusive porque existem situações particulares, como mulheres com histórico de câncer de mama, em que a escolha exige cuidado específico.

O que eu quero que você leve deste texto: isso não é para conviver. É para tratar.

O que não muda

A capacidade de sentir prazer não acaba com a menopausa.

O clitóris continua funcionando. O orgasmo continua possível. Muitas mulheres relatam vida sexual boa ou até melhor depois dessa fase — sem medo de gravidez, com os filhos criados, com mais tempo e menos vergonha.

O que muda é que agora o casal precisa fazer com intenção o que antes acontecia sozinho.

O que fazer, como casal

1. Converse sem acusação.

"Eu percebi que tem incomodado. Quero entender e ajudar" abre porta. "Você não quer mais" fecha.

2. Incentive a consulta.

Ofereça ir junto. Muitas mulheres adiam por achar que serão minimizadas.

3. Lubrificante entra na rotina, sem drama.

Resolve muito, custa pouco, e não diz nada sobre o desejo dela.

4. Aumente o tempo.

Ainda mais que antes. O corpo dela precisa de mais tempo para responder — e tempo é o fator que elas mais citam como algo que melhora o orgasmo.

5. Mude o cardápio.

Se a penetração está desconfortável enquanto o tratamento não faz efeito, o sexo não precisa parar. Clitóris é refeição, penetração é sobremesa — e essa é a fase em que esse princípio mais vale.

6. Cuide do seu lado também.

Essa costuma ser a mesma década em que a ereção dele muda. Dois corpos mudando ao mesmo tempo, cada um em silêncio, é a receita para o casal se afastar achando que o problema é o outro.

Se vocês estão atravessando isso e não sabem como conversar, me manda uma mensagem. É uma das fases que mais respondem quando o casal enfrenta junto.

Falar comigo no WhatsApp

E me conta nos comentários: vocês já conversaram abertamente sobre isso? Eu leio e respondo todos.

MenopausaRelacionamentoMaturidade

Perguntas frequentes

A menopausa acaba com a vida sexual?+

Não. Ela traz mudanças que têm tratamento. Muitas mulheres relatam vida sexual satisfatória, e algumas dizem que melhorou nessa fase.

Os sintomas melhoram sozinhos com o tempo?+

A literatura descreve a condição como progressiva, ou seja, tende a piorar sem tratamento. Por isso a avaliação é importante.

Existe tratamento sem hormônio?+

Sim. Lubrificantes e hidratantes vaginais são frequentemente usados como primeira linha. A escolha é do ginecologista.

Ela teve câncer de mama. Pode tratar?+

Existem opções e há literatura específica sobre esse cenário, mas a decisão exige avaliação individualizada com o médico dela.

Ela diz que não sente falta. Devo aceitar?+

Vale conversar com calma para entender se é ausência de desejo mesmo ou evitação por desconforto. São coisas diferentes com caminhos diferentes.

Referências

  1. 1.Hormonal Medications for Genitourinary Syndrome of Menopause. PubMed
  2. 2.Vaginal dryness: a review of current understanding and management strategies. PubMed Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Sintomas da menopausa devem ser avaliados e tratados por ginecologista