Masturbação faz mal? O que os estudos realmente mostram
Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)
Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552
Não existe evidência de dano à saúde. O que existe é uma história de mitos com 300 anos. Veja o que os estudos mostram
Masturbação faz mal? O que os estudos realmente mostram
Não. Não existe evidência científica de que a masturbação cause dano à saúde — nem cegueira, nem impotência, nem loucura, nem queda de testosterona. A literatura descreve, ao contrário, associações com benefícios: melhor conhecimento do próprio corpo, melhor função sexual e redução de estresse. O que faz mal é a forma errada, e o que faz muito mal é a culpa que ainda cerca o assunto.
De onde vêm os mitos
Vale conhecer a origem, porque ela explica muita coisa.
Um estudo publicado na Archives of Sexual Behavior descreve esse histórico: até a idade moderna, moralistas e teólogos tratavam a masturbação como pecado contra a natureza, enquanto os médicos praticamente a ignoravam. Isso mudou no início do século XVIII, com a publicação de um livro que atribuía sintomas físicos à prática — e a partir dali surgiu o conceito de uma suposta doença pós-masturbatória, que chegou a ser apontada como causa de infecção, disfunção sexual e insanidade.
Ou seja: a ideia de que masturbação adoece não veio de observação clínica. Veio de um livro do século XVIII, e ficou.
Trezentos anos depois, homens de 50 anos ainda chegam ao meu consultório perguntando se aquilo gastou alguma coisa deles.
O que a literatura atual mostra
A masturbação é descrita como comportamento sexual comum, presente em praticamente todas as fases da vida, e associada a desfechos positivos.
Um levantamento com amostra nacionalmente representativa dos Estados Unidos mediu prevalência, frequência e motivos — confirmando que é prática amplamente disseminada e não marginal.
Entre as associações descritas na literatura:
● Melhor conhecimento do próprio corpo
● Melhor função sexual
● Redução de estresse
● Uso terapêutico no tratamento de dificuldades sexuais
Esse último merece destaque, porque é exatamente o que eu faço no consultório: a masturbação bem orientada é ferramenta de tratamento, não problema a ser eliminado.
▶ Assista: A importância da masturbação
O que realmente pode dar problema
Não é a prática. É a forma, e são três coisas.
Pressa.
Décadas de masturbação apressada treinam o corpo a chegar rápido. Depois o homem não entende por que goza rápido com a parceira — quando ele mesmo treinou isso milhares de vezes.
Pornografia.
Condiciona a excitação a um estímulo visual intenso que a parceira não reproduz, e atrofia a imaginação, que é o que constrói desejo ao longo do dia.
Pegada firme demais.
Pressão muito maior do que a de uma vagina. Daí a queixa clássica: com a mão funciona, com ela não.
E existe um quarto problema, que é de contexto: quando vira fuga. Se você se masturba para não lidar com o casamento, com a ansiedade ou com a solidão, o problema não é a masturbação — é o que ela está tapando.
E quando a frequência incomoda?
A pergunta útil não é quantas vezes. É se está atrapalhando alguma coisa.
Sinais de que vale olhar com atenção:
● Você deixa de fazer coisas importantes por causa disso
● Você faz mesmo quando não quer, sem conseguir parar
● Passou a preferir consistentemente a masturbação ao sexo com a parceira
● Você sente sofrimento significativo em torno do tema
Se nada disso acontece, a frequência em si não é o problema — independentemente do número.
▶ Assista: Os efeitos da masturbação diária na sua saúde
Se você carrega dúvida ou culpa sobre isso há anos, me manda uma mensagem. É mais comum do que você imagina e a conversa costuma aliviar muito.
E me conta nos comentários: você já acreditou em algum desses mitos? Eu leio e respondo todos.
Perguntas frequentes
Masturbação diária faz mal?+
Não há evidência de dano pela frequência em si. O que importa muito mais é a forma: com calma, sem pornografia e com pegada leve.
Masturbação causa disfunção erétil?+
A prática em si, não. O condicionamento errado — pressa, pornografia e pressão excessiva — pode contribuir para dificuldades com a parceira.
Masturbação diminui a testosterona?+
Não há evidência de redução clinicamente relevante dos níveis pela prática regular.
Existe masturbação excessiva?+
O critério não é o número, e sim o prejuízo: perda de controle, impacto em obrigações e sofrimento significativo. Nesses casos vale procurar ajuda.
Referências
- 1.Zimmer F, Imhoff R. Abstinence from Masturbation and Hypersexuality. Arch Sex Behav. 2020;49(4):1333-1343. PubMed
- 2.Herbenick D, Fu TC, Wasata R, Coleman E. Masturbation Prevalence, Frequency, Reasons, and Associations with Partnered Sex. Arch Sex Behav. 2023;52(3):1317-1331. PubMed Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica ou psicológica.
