Frequência sexual: quanto é "normal" para um casal?
Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)
Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552
Um estudo com mais de 30 mil pessoas encontrou um ponto onde os benefícios param de crescer. Veja qual é e o que isso significa.
Frequência sexual: quanto é "normal" para um casal?
A pergunta que todo homem faz em silêncio tem uma resposta baseada em dados, e ela surpreende. Um estudo que analisou mais de 30 mil pessoas encontrou que a associação entre frequência sexual e bem-estar não é linear: ela cresce até cerca de uma vez por semana e para de crescer a partir daí. Mais que isso não foi associado a mais felicidade. E menos que isso, sim, foi associado a menos.
O que o estudo encontrou
A pesquisa publicada em 2016, com três estudos e 30.645 participantes, encontrou associação curvilínea entre frequência sexual e bem-estar.
Os achados principais:
● A associação existe apenas para pessoas em relacionamento — para solteiros, não apareceu
● O bem-estar cresce com a frequência até cerca de uma vez por semana
● Acima disso, não houve aumento adicional de bem-estar ou de satisfação com o relacionamento
● O efeito se manteve independentemente de gênero, idade e tempo de relação
● A satisfação com o relacionamento mediou a associação — ou seja, o sexo melhora a relação, e a relação melhora o bem-estar
Uma comparação feita pelos autores dá dimensão: a diferença de bem-estar entre transar uma vez por semana e menos de uma vez por mês foi maior que a diferença entre faixas de renda bastante distintas.
Duas honestidades: o estudo não foi desenhado para identificar causa — pode ser que o sexo cause felicidade ou que casais felizes transem mais. E acima de uma vez por semana não foi associado a menos felicidade; apenas não foi associado a mais.
▶ Assista: Você está fazendo sexo o suficiente? Veja os benefícios
Por que isso alivia
Porque a maioria dos homens que chega ao meu consultório acha que está muito abaixo do normal — e a régua que ele usa vem de pornografia, de conversa de vestiário e de filme.
A régua real é bem mais modesta. E o mais importante: acima de certo ponto, aumentar a frequência não compra mais nada.
Se vocês transam uma vez por semana e ambos estão bem, vocês não têm problema de frequência. Têm exatamente o que a literatura associa a maior bem-estar.
É como sono. Dormir sete horas é ótimo; dormir doze não te deixa duas vezes mais descansado.
Quando a frequência é sinal de algo
O número em si importa menos que a trajetória e o significado.
Vale atenção quando:
● Caiu muito e rápido, sem motivo claro
● Um dos dois está sofrendo com isso
● Vocês pararam de conversar sobre o assunto
● A esquiva está acontecendo por medo de falhar, não por falta de vontade
● Existe dor envolvida
Esse quarto item é o que eu mais vejo. O homem tem uma ereção instável, começa a evitar, e o casal atribui a queda de frequência a desinteresse — quando é medo.
O que importa mais que o número
A literatura sobre satisfação de casais aponta consistentemente que comunicação, qualidade da experiência e clima afetivo pesam mais que frequência.
Na prática, é isto:
● Uma vez por semana com presença vale mais que três vezes mecânicas
● Discrepância de desejo entre vocês incomoda mais que o número absoluto
● Contar frequência transforma o sexo em placar, e placar gera pressão
Se você está contando os dias, esse é o primeiro hábito a abandonar. Ele não aumenta a frequência — só aumenta a sua frustração e a esquiva dela.
▶ Assista: Disfunção erétil situacional: como evitar que a frequência caia
Se a frequência de vocês caiu e você não sabe se é rotina, medo ou algo físico, eu explico numa aula ao vivo como identificar isso e o que fazer.
E me conta nos comentários: você achava que a média era maior? Eu leio e respondo todos.
Perguntas frequentes
Uma vez por semana é pouco?+
Segundo o estudo citado, é justamente o ponto a partir do qual os benefícios param de crescer. Se os dois estão bem, não é pouco.
Transar mais faz mal?+
Não. O estudo mostra que acima de uma vez por semana não houve mais bem-estar — não que houvesse menos.
E se um quer mais que o outro?+
Discrepância de desejo é uma das queixas mais comuns em relacionamentos longos e merece conversa, não cobrança.
A frequência cai com a idade?+
Tende a reduzir, mas o efeito do estudo se manteve independentemente de idade e tempo de relação.
Referências
- 1.Muise A, Schimmack U, Impett EA. Sexual Frequency Predicts Greater Well-Being, But More is Not Always Better. Social Psychological and Personality Science. 2016;7(4):295-302.
- 2.Vowels LM, Mark KP, et al. Desire discrepancy in long-term relationships
