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O que é a ejaculação feminina, afinal?
Prazer da Parceria e Preliminares6 min de leitura

O que é a ejaculação feminina, afinal?

Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)

Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552

Existe, tem explicação anatômica e não é sinal de desempenho. Entenda o que se sabe e por que virou meta desnecessária.

O que é a ejaculação feminina, afinal?

O fenômeno existe, é relatado por parte das mulheres, e a literatura descreve dois eventos diferentes que costumam ser confundidos: uma pequena quantidade de fluido esbranquiçado, associado a glândulas próximas à uretra, e uma liberação de volume maior, de composição mais próxima da urina. O que precisa ficar claro é o resto: isso não é medida de prazer, não é sinal de que você é bom, e não deveria virar meta.

O que se sabe

A literatura distingue basicamente duas coisas:

●       Uma emissão de pequeno volume, esbranquiçada, associada a glândulas parauretrais — às vezes chamadas de próstata feminina

●       Uma liberação de volume maior, transparente, com composição semelhante à urina diluída

A segunda é a que costuma aparecer em vídeos e é o que o senso comum chama de squirting.

O tema ainda é objeto de debate na literatura, e vale dizer isso com honestidade. Não há consenso completo sobre mecanismo, origem e frequência.

Vale notar que a discussão se cruza com outra controvérsia. A revisão sistemática sobre o ponto G analisou 31 estudos e concluiu que, entre os trabalhos que consideraram a estrutura existente, não houve acordo sobre localização, tamanho ou natureza — e que a existência dela permanece não comprovada.

▶ Assista: O que é a ejaculação feminina?

Por que virou meta e por que isso é ruim

A pornografia transformou isso em troféu.

Resultado: homens chegam ao consultório perguntando como fazer a esposa "esguichar", como se fosse a prova final de competência sexual. E mulheres chegam achando que têm um problema porque nunca aconteceu com elas.

Os dois estão presos na mesma armadilha.

A maioria das mulheres não relata esse fenômeno. Isso não diz nada sobre o prazer delas, sobre o orgasmo delas ou sobre a sua habilidade.

É como julgar um jantar pelo tamanho da fumaça da panela. Pode acontecer, pode não acontecer, e não tem relação necessária com a comida ficar boa.

O dano real de transformar em objetivo

Quando isso vira meta, três coisas acontecem — e eu vejo todas no consultório:

●       Ela se sente inadequada por não corresponder a algo que talvez o corpo dela não faça

●       Ela fica monitorando durante o sexo, o que é o oposto de se entregar

●       Muitas seguram a resposta por medo de ser urina, e esse medo bloqueia o orgasmo

Esse último é importante e pouco falado. Várias mulheres relatam que, quando sentem a sensação chegando, elas contraem e param — por vergonha. E ao fazer isso, interrompem o próprio orgasmo.

Ou seja: a busca pelo fenômeno pode acabar impedindo o que realmente importa.

O que fazer com essa informação

1. Tire da lista de objetivos.

Foque no que tem evidência: tempo, estímulo do clitóris, atenção e conexão. Isso sim está associado a orgasmo melhor.

2. Se acontecer, não faça alarde.

Reagir com espanto ou comemoração constrange. Trate com naturalidade.

3. Se ela tem vergonha, converse.

Dizer com naturalidade que você não se incomoda pode ser exatamente o que ela precisa para parar de segurar.

4. Uma toalha resolve o aspecto prático.

Isso reduz a preocupação dela com o lençol, que é real e atrapalha mais do que se imagina.

5. Nunca use como comparação.

Mencionar que outra mulher fazia é uma das coisas mais destrutivas que um homem pode dizer.

Se você quer entender o que realmente aumenta o prazer dela — com base em dados, não em vídeo —, eu explico numa aula ao vivo e respondo suas dúvidas na hora.

Participar da aula ao vivo

E me conta nos comentários: essa era uma dúvida sua? Eu leio e respondo todos.

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Perguntas frequentes

É urina?+

A literatura descreve mais de um fenômeno. A emissão de grande volume tem composição próxima à urina diluída; a de pequeno volume tem características diferentes. O tema segue em debate.

Toda mulher pode?+

Não há evidência de que seja universal, e a maioria não relata. Isso não indica problema nem falta de prazer.

Existe técnica para provocar?+

A internet promete muito e a evidência é fraca, inclusive porque o próprio ponto G tem existência não comprovada. Foque no que tem dado: clitóris, tempo e conexão.

Ela tem vergonha. Como ajudar?+

Diga com naturalidade que você não se incomoda, e resolva a parte prática com uma toalha. A vergonha é o que mais bloqueia.

Referências

  1. 1.Vieira-Baptista P, Lima-Silva J, Preti M, et al. G-spot: Fact or Fiction?: A Systematic Review. Sex Med. 2021;9(5):100435. PubMed Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.